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Futebol Feminino e Brasil — Uma Nota Cultural

  • Foto do escritor: Ermelinda da Glória Experiências
    Ermelinda da Glória Experiências
  • 11 de jul.
  • 2 min de leitura

O País Por Trás do Torneio

Em 1941, o governo brasileiro proibiu as mulheres de praticar futebol. A proibição durou até 1979, quase quatro décadas durante as quais o esporte continuou existindo informalmente, em quintais e terrenos baldios, sustentado pela mesma devoção popular que sempre definiu a relação do Brasil com o jogo. Quando a proibição foi revogada, o futebol feminino no Brasil não começou. Ele retomou.


Essa história importa para compreender o que a Copa do Mundo Feminina de 2027 representa para este país. O Brasil não está simplesmente sediando um torneio internacional. Está sediando a culminação global de um esporte que seu próprio governo um dia tentou apagar, e fazendo isso como a nação que produziu Marta Vieira da Silva, a jogadora que conquistou o prêmio de Melhor do Mundo da FIFA por seis vezes consecutivas e é amplamente considerada a maior a já ter jogado o esporte. A convergência desse legado com a primeira Copa do Mundo Feminina em solo sul-americano não é incidental. É o tipo de alinhamento simbólico que define um momento cultural.


Para o parceiro internacional, esse contexto não é informação de fundo. É a moldura através da qual um principal de qualquer mercado pode ser ajudado a compreender por que participar deste torneio no Brasil é uma experiência diferente de comparecer a qualquer outro evento esportivo em qualquer outro país. A plateia nas arquibancadas não estará assistindo futebol. Estará assistindo um país reivindicar algo que é seu.


Marta, the best player winner in field
Danilo Borges/Rededoesporte.gov.br

Por Que Este Torneio, Por Que Agora?

A Copa do Mundo Feminina FIFA de 2023, na Austrália e Nova Zelândia, mudou permanentemente o cenário comercial e cultural do futebol feminino. Audiência global recorde, estádios lotados e um nível de atenção da mídia que o esporte jamais havia recebido antes produziram um marco divisor de águas na forma como o mercado esportivo internacional percebe o jogo feminino. A edição de 2027 no Brasil chega na esteira dessa transformação, com um público global maior, mais engajado e mais relevante comercialmente do que em qualquer momento anterior da história do torneio.


O argumento específico para 2027 é a convergência de fatores que não se repetirá nesta combinação. A primeira Copa do Mundo Feminina na América do Sul. Oito cidades-sede em um país de escala continental. Uma janela de torneio que cai na estação mais confortável para viagens na maior parte das regiões do Brasil. Uma nação anfitriã com uma relação cultural com o futebol que transforma cada partida em algo além do esporte. E um destino que, para além do torneio em si, oferece a profundidade e a variedade capazes de estender uma visita muito além dos estádios.


O parceiro que apresenta este torneio a um principal como uma viagem de futebol está subestimando seu valor. Brasil 2027 é uma porta de entrada para um país, e o principal que chega pelo futebol e parte tendo vivido Salvador, o Pantanal, a mesa de um chef em São Paulo ou um pôr do sol sobre o Guaíba não vai se lembrar disso como um evento esportivo. Vai se lembrar como Brasil.

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